Não faltou ousadia ao Imperatriz ao postar nas redes (ditas como) sociais um anúncio do jogo em que recebem o Sampaio Corrêa como “o maior clássico do Maranhão”. Impossível tratarmos de todos os aspectos que levaram a esta estratégia de marketing da diretoria cavalinha – até porque se o post passar de 5 parágrafos é praticamente certo que você não lerá. Mas alguns pontos nos chamaram a atenção e aqui vão.

A incompetência do Moto Club dá margem à pretensão do Imperatriz. Isso é um fato. Enquanto a Diretoria Rubro Negra se desgasta diariamente em rusgas com a Federação Maranhense de Futebol -muito por conta de todo mundo sabe o porquê – assistiu seu camisa 10 (na função, haters) e seu 9 (idem) desligarem-se do clube. Em meio ao cenário recente, com o retorno à 4ª Divisão, o sentimento de grande parte da torcida motorizada hoje é muito mais no sentido de “não deixemos morrer” do que “vamos para cima”, vide o último post do motense Jose Roberto Leito Jr.

Por outro lado, quem acompanha o Futebol Maranhão ao longo desses 3 anos sabe que minha opinião (absolutamente, como não poderia deixar de ser, pessoal) é no sentido de que estamos diante de um inevitável movimento de nacionalização do futebol. Este é o movimento que faz Sport colocar em segundo plano sua rivalidade frente a Santa Cruz e Náutico. Mesmo fenômeno ocorre no Pará.

O Sampaio Corrêa já está na Copa do Nordeste por no mínimo 5 anos, independentemente de Campeonato Maranhense. E tudo indica que seguirá por outros tantos. Da mesma forma que seguirá representando o Maranhão na Copa do Brasil ano após ano. Por sua vez, as cotas por participação nestas competições tendem a aumentar ano a ano.

Em 2018, os cofres do Tricolor receberam R$600.000,0 (seiscentos mil reais) pela primeira fase da Copa do Brasil e aproximadamente R$850.000,00(oitocentos e cinquenta mil reais) pela Copa do Nordeste. Basta projetar isso em 5 (cinco) anos para chegar-se à conclusão que o parâmetro do Tricolor é outro.

Enquanto a Série B este ano pagará mais R$6.000.000,00 (seis milhões de reais) ao Tubarão, a Série C ainda não definiu valores de premiação, tampouco Série D. Portanto, imaginemos que o Tubarão passe apenas dois anos consecutivos na Série B. Só aí já seriam outros R$12.000.000,00 (doze milhões de reais) ingressando nos cofres bolivianos em detrimento de zero reais nos demais, o que já tornaria praticamente irreversível a disputa pela primeira posição no cenário estadual.

A missão atual do Sampaio é desenvolver rivalidades com Ceará, Fortaleza, CSA, CRB, Paysandu, ABC, América, Santa Cruz e Náutico. Bahia, Vitória e Sport são inalcançáveis a curto, médio e longo prazo.

Já deu 5 parágrafos?

Voltemos ao Moto. O Papão teve uma grande chance de diminuir essa distancia nas cifras para com seu maior rival e buscar integrar-se a um bloco compatível com o tamanho da sua história. CSA e Remo também tiveram essa oportunidade (ainda que em uma segunda chamada, posto que seus rivais já haviam tomado o elevador anos atrás). Apenas o clube alagoano aproveitou a chance. Fortaleza conseguiu algo minimamente decente pra se apoiar mas ainda assim viu seu rival chegar à Série A e quase triplicar o orçamento no ano do aniversário Leonino. Porém, a situação do Rubro-Negro foi bem pior, já que o rebaixamento para a Série D aumentou drasticamente a distância para o rival.

A História é feita dia após dia…

O Imperatriz tá na dele. O vácuo que a fragilidade do Moto deixou não impede que os alvirrubros reivindiquem o jogo contra o Sampaio como o maior clássico estadual. Porém, mesmo eu acreditando que isto seja possível em um médio prazo, também não há qualquer argumento a validar a intenção tocantina. Ano passado, tiveram a chance de conquistar vagas para as Copa do Nordeste e do Brasil e vacilaram em casa para o Cordino. Este ano estarão na Série D, disputando uma vaga na Série C 2019 tal qual Moto e seu algoz de 2017… E é bom destacar, ainda, que a diferença que separa Moto Club do Imperatriz no Ranking da CBF pode ser superada em 2 (dois) anos.

Finalmente, nada impede que amanhã o Cordino, supra citado, também reivindique seu lugar no maior clássico maranhense, já que é o atual vice campeão estadual e não vem fazendo feio nas competições regionais e nacionais que disputa. Vai que sejam eles a conseguir o acesso à Série C. Os últimos anos demonstram que a chance de um maranhense chegar ao menos na fase preliminar ao jogo que define acesso é bastante considerável.

O tic-tac do relógio globalizador não refreará. 2018, 2019 e (forçando a barra, 2020) talvez sejam as últimas chamadas para um lugar lá no último vagão do trem nacionalizador… Ou se corre pra tentar alcançá-lo ou polêmicas vazias não se sustentarão.

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