Prezado Editor do site Futebol Maranhão,

 

Na oportunidade em que expressamos nosso respeito pelo trabalho desenvolvido pelo portal e mais ainda, pelas opiniões apresentadas, cabe-nos externar alguns equívocos na matéria “A polêmica regra da segunda divisão do maranhense”.

 

Inicialmente agradecemos os elogios feitos pelo autor do texto, jornalista por quem nutrimos admiração. Necessárias, porém, algumas correções, que seguem:

 

– O objetivo e função principais da Federação é fomentar o futebol e atender ao maior número possível de interesses, exemplificando: torcedores, clubes, atletas (todas faixas etárias), imprensa e sociedade em geral

 

– Vivemos uma grande evasão de atletas entre 20 e 23 anos em nosso Estado, por ausência de competições oficiais, inclusive no calendário nacional, perdendo-os para o mercado internacional. Lembremos que esta faixa etária, para critérios da FIFA, ainda é considerada como formação.

 

– Quanto à afirmação de que “A realidade nua e crua do futebol maranhense ainda não está pronta para essa limitação, que foi muito criticada pelos atletas profissionais do Maranhão, para os quais o campeonato seria ideal para completar o calendário deles”, corroboramos, com fatos, no sentido exatamente oposto. Primeiro porque não basta “ter calendário”. Necessário que haja condições de custear esse calendário. Se com calendário reduzido, são recorrentes os problemas financeiros e salariais, como seria um calendário de 10, 11 meses? Os clubes tem como arcar com despesas? A realidade nua e crua, não só do nosso futebol, mas do nosso poder aquisitivo demonstra que temos limitações financeiras e orçamentárias, e que precisamos pensar no todo, e não apenas em partes.

 

– O cálculo de atletas apresentado dentre os empregados e desempregados não reflete um dado concreto. Vejamos. Inicialmente “a explicação de que 60 vagas (10 por clube em um total de seis clubes inscritos) é suficiente para “abarcar” esta oferta é tentar parar o sol com a peneira” não foi dada por nós, assim não podemos considerar como argumento oficial. Consequentemente, o trecho “No Campeonato Maranhense, os oito times utilizaram entre 20 e 30 jogadores na competição. Com isso são mais ou menos 200 jogadores que atuaram na competição e que, possivelmente, estejam sem clube para atuar. Fazendo os devidos descontos, o limite geraria por si só um déficit de emprego de quase 100 vagas”, não reflete um cálculo utilizável. É do conhecimento exaustivo de todos que dentre os jogadores utilizados no Estadual Série A, vários são provenientes de outros Estados, alguns tantos foram dispensados durante a competição, outro tanto está empregado em clubes de outros Estados. Teríamos que partir da premissa que os atletas que disputaram a Série A, em sua maioria, retornaria para a Série B. O que não é uma premissa verdadeira. Logo, a simples soma e subtração, pensamos não refletir um número que se proponha como base de fundamento. Lembremos, ainda, que diversos atletas Sub 23 ficam sem mercado, sem calendário. Não devemos pensar neles? Ou usemos o argumento de que “quem é bom se estabeleça”? Seria esse o caminho? Nesse contexto, os bons acima da idade não terão problema em se estabelecer.

 

– Como suposta “medida drástica”, pensamos que um número de 10 acima de 23 anos, quase que a totalidade de titulares em uma partida, esteja longe de ser uma medida drástica. Ao contrário, competições de outras Federações fazem limitações maiores, com no máximo 5. Competições, inclusive, que proporcionam vaga para competições profissionais nacionais.

 

– Repetindo, dez atletas por jogo praticamente atende todo o time titular. Seria inócuo prever 3 ou 4 atletas Sub 23, pois cada time, pelo regulamento CBF, pode relacionar até 23 atletas por partida. Pensar em 3 em meio a 23 seria o mesmo que não prever a obrigação.

 

– A medida segue tendência da própria CBF, que na Série C deste ano obrigou a inscrição de no mínimo 5 atletas Sub 23. Lá, pode ser prevista a inscrição, pois dentro do sistema de gestão dos clubes, onde constam todos os contratados, abriu-se um campo para indicar os 35 atletas inscritos na Série C e, dentre eles, os 5 na faixa Sub 23. No Estadual Série B não seria possível tal medida, dada a obrigatoriedade de desenvolver um sistema eletrônico próprio. Na citada competição, veja-se, de nível nacional, com times já estabelecidos no cenário do futebol, vetou-se até a substituição de jogadores dispensados. Não tivemos notícia (porque não aconteceu ou porque não tivemos acesso a ela) de manifestações formais de atletas ou entidades representativas contra tal medida. Se não ocorreu com “o mais”, também não houve com “o menos”.

 

– A medida foi proposta aos clubes, que aceitaram e entenderam ser adequada. Divulgamos o regulamento, a proposta. Não houve manifestação contrária. Não chegou ao conhecimento deste Departamento de Competições ou da Ouvidoria, qualquer polêmica neste sentido, até a presente postagem. Ao contrário, houve manifestações a favor e, principalmente, de atletas Sub 23 que pleiteiam mais espaço.

 

Também se buscou um maior equilíbrio de forças e saneamento de custos aos clubes.

 

Questões de calendário do futebol brasileiro são discutidas em vários segmentos. A Federação se adequa ao que pode e é mais viável para o mercado local.

 

Pensamos que planejamento passa por isso: viabilizar aos clubes mecanismos menos custosos; oportunizar mercado a todos os atletas, dentro dos caminhos possíveis; e atrair a atenção do torcedor.

 

Colocamo-nos sempre à disposição para o diálogo e engrandecimento do nosso futebol.

 

Por fim, trazemos a célebre frase (adaptada) atribuída a Voltaire que usamos como mantra: discordamos em vários pontos do que dissestes, mas defenderemos até a morte o direito de fazê-lo.

 

Cordialmente,

 

Hans Nina

Vice-presidente de Competições – FMF plano