Representantes do futebol maranhense no Campeonato Brasileiro Série C, Sampaio Corrêa e Moto Club iniciaram a competição em situações opostas no aspecto emocional: enquanto o Tubarão ainda vivia a ressaca pela lanterna da Série B em 2016, o Papão aproveitava o embalo do quarto lugar na última edição da Série D. Nove rodadas depois, entretanto, a situação melhorou para o Sampaio, que encerra o primeiro turno da fase de grupos na vice-liderança,  pouco depois de conquistar o 33º título estadual de sua história, e piorou para o Moto, que está na penúltima colocação da chave.

Com mais nove rodadas para disputar, o Sampaio Corrêa luta por uma das quatro vagas nas quartas de final, onde disputará o retorno imediato à Segundona, e o Moto Club planeja a permanência na Série C, evitando o “efeito ioiô” comum em muitos times recém-saídos da Quarta Divisão. Pensando nesses últimos compromissos pela fase de classificação, o Futebol faz as contas e disseca os times maranhenses, analisando seus pontos fortes e fracos. Vale lembrar: Sampaio e Moto abrem o returno da Terceirona neste sábado (15), às 16h, no Estádio Castelão. Hoje trataremos especificamente do Moto Club de São Luís:

Pontos fortes do Moto Club

Potencial

Mesmo na zona de rebaixamento, o Moto Club tem uma base montada, que passou por poucas mudanças nesta Série C, e entrosamento ajuda demais na disputa por resultados, independentemente da qualidade da equipe. Em pelo menos quatro jogos desta Terceirona, o Rubro-Negro teve um desempenho animador: além da goleada sobre o Confiança e a vitória diante do forte time do Fortaleza, o Moto jogou muito bem contra CSA e Remo, que atuavam em casa e devem brigar pelo G4 até a última rodada. O novo treinador para o returno, que pode ser até mesmo o interino Marcinho Guerreiro, precisa trabalhar isso e buscar uma regularidade dessa equipe.

Disciplina

Em momento difícil na Terceirona, o Moto Club está dificultando a perda de atletas por suspensão na competição nacional. Nas nove primeiras rodadas, o Papão recebeu 19 cartões amarelos, média de 2,1 por partida, e ainda não teve nenhum jogador expulso.

Fator casa

Mesmo com a derrota no clássico para o Sampaio Corrêa, onde foi mandante, o Moto Club é a equipe com o quarto melhor aproveitamento em casa no Grupo 1. Em cinco partidas, o Rubro-Negro conquistou oito pontos, três a mais que Cuiabá e Salgueiro, rivais na luta contra a degola. Em uma disputa tão acirrada, fazer o dever de casa ajuda e muito.

O que o Moto Club precisa melhorar

A falta de um homem-gol

Após nove rodadas de Série C, o Moto Club tem três atletas liderando a artilharia, cada um com apenas dois gols: o meia Válber e os atacantes Vitinho e Rafamar. A vitória contra o Fortaleza, com um gol chorado de Vinícius Paquetá, mostrou que um centroavante em boa fase pode ajudar e muito nos confrontos mais difíceis. Ciente dessa situação, a diretoria do Moto já confirmou o acerto com Rone, que estava no Maranhão Atlético, para aumentar o poder de fogo da equipe.

Desempenho fora de casa

Dono de uma campanha regular em casa, o Moto Club tem um aproveitamento desastroso quando joga fora de São Luís. Em quatro partidas fora de casa, o Rubro-Negro sofreu quatro derrotas. Após um turno de Série C, o Moto é o único time de seu grupo que ainda não pontuou longe de seus domínios.

Queda de rendimento no segundo tempo

Na maioria de seus jogos, o Moto Club consegue equilibrar as ações no primeiro tempo, mas acaba perdendo a concentração e a força na etapa final. Contra Cuiabá, Sampaio Corrêa, Remo e CSA, o Rubro-Negro sofreu derrotas com gols marcados no segundo tempo. Até mesmo em casa, o Papão sofre desse mal: contra o ASA, o time maranhense também não segurou o resultado nos 45 minutos finais e deixou escapar uma importante vitória.

Necessidade em comum

Tanto Moto Club quanto Sampaio Corrêa precisam de maior apoio da torcida nos estádios para cumprir seus objetivos na Série C. Os dois times estão no top 10 do ranking de público da competição nacional, mas levando menos de 3.200 torcedores por partida no Castelão. Transformar o Gigante do Outeiro da Cruz em caldeirão, além da melhoria técnica, ajudaria financeiramente os times maranhenses, que estão com problemas para manter as contas em dia.

As contas

Na história da Série C, já teve time se classificando para as quartas de final com 24 pontos, mas a pontuação segura é 31 pontos. Com 15 pontos conquistados no turno, o Sampaio Corrêa precisa manter o aproveitamento atual no returno e ainda somar um ponto extra. O Tricolor terá cinco jogos em São Luís, e pode aproveitar o fator casa para abrir diferença sobre a concorrência.

O Moto Club, por sua vez, terá que melhorar muito para escapar do rebaixamento. Em edições anteriores da Série C, já teve time caindo com 21 pontos. Para chegar aos “seguros” 22 pontos e não depender de combinações de resultados, o Rubro-Negro terá que fazer 14 pontos, ou seja, vencer pelo menos cinco compromissos.

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